Thursday, April 23, 2009

Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser

Friday, February 01, 2008

O Lugar

O Lugar

já é noite, o frio está em tudo o que se vê
lá fora ninguém sabe que por dentro há vazio
porque em todos há um espaço que por medo não se deu
onde a ilusão se esquece do que o medo não previu
já é noite o chão é mais terra pra nascer
a água vem escorrendo entre as mãos a percorrer
todo o espaço entre a sombra entre o espaço que restou
para refazer na vida no que o medo não matou


mas onde tudo morre tudo pode renascer
em ti vejo o tempo que passou
vejo o sangue que correu
vejo a força que me deu quando tudo parou em ti
a tempestade que não há em ti
arrastando para o teu lugar e é em ti que vou ficar


já é dia e a sombra está em tudo o que se vê
lá fora ninguém sabe o que a luz pode fazer
porque a noite foi tão fria que não soube acordar
a noite foi tão dura e difícil de sarar


mas onde tudo morre tudo pode renascer
em ti vejo o tempo que passou
vejo o sangue que correu
vejo a força que me deu quando tudo parou em ti
a tempestade que não há em ti
arrastando para o teu lugar e é em ti que vou ficar


mas eu descobri a casa onde posso adormecer
eu já desvendei o mundo e o tempo de perder
aqui tudo é mais forte e há mais cores no céu maior
aqui tudo é tão novo e o que pode ser amor

e onde tudo morre tudo volta a nascer
em ti vejo o tempo que passou
vejo o sangue que correu
vejo a força que me deu quando tudo parou em ti
a tempestade que não há em ti
arrastando para o teu lugar e é em ti que vou ficar

já é dia e a luz está em tudo o que se vê
cá dentro não se ouve o que lá fora faz chover
na cidade que há em ti encontrei o meu lugar
e é em ti que vou ficar.

Tiago Bettencourt

Sunday, January 20, 2008

Não me perguntes

Não me perguntes mais como estou nem queiras mais saber o que esperar de mim. A resposta será sempre uma eterna desilusão, um ciclo infinito de verdades que só em mim fazem sentido, que só numa loucura febril como a minha podem fazer sentido!
Não esperes decisões racionais, tão pouco emotivas. Espera sim um arrastamento do marasmo pois é nele que me sinto em casa. É sentado a pensar como seria a minha vida se a vivesse que experimento o falso conforto de quem já desistiu de querer algo mais que acordar amanhã, e quem sabe, sentir o sol de inverno na cara antes de dormir de novo.

Perguntas-me por onde vou? Onde e como estou?
Perdido hoje, pois as certezas de ontem serão sempre as dúvidas de amanhã!

Thursday, January 17, 2008

Cores

Era uma vez um lápis que vivia numa caixa muito bonita e brilhante! A caixa era de uma das marcas mais conceituadas e toda a gente a admirava. Não havia uma única pessoa que não tivesse vontade de pegar nos lápis da caixa e começar a pintar e colorir.
Um dia houve um miúdo que comprou a caixa e foi todo feliz da vida para casa pronto para fazer os mais belos desenhos que podia imaginar.
Quando a abriu foi um regalo para os olhos! Todas as cores alinhadas, os azuis do céu e do mar, o verde da natureza, o amarelo do sol e todas as outras cores que se podem imaginar.
Mas qual não foi o seu espanto quando encontrou um lápis duma cor que nunca tinha conhecido, uma cor incomparável a qualquer outra. Nem bonita nem feia, apenas estranha. Pegou nele e começou a desenhar numa folha branca, sem vida, sem cor....sem nada! Ainda mais espantado ficou quando percebeu que o lápis desenhava como que por vontade própria, puxava a sua mão de um lado para outro para poder desenhar coisas incompreensíveis, estranhas e aparentemente sem forma.
Assustado, guardou o lápis da cor estranha na caixa e decidiu que nunca mais lhe tocaria. Nunca voltaria sequer a falar do lápis a ninguém. Olhou para a folha e não percebeu de que desenho se tratava. Era um conjunto de riscos sem lógica aos seus olhos!
Irritou-se! Estúpido lápis, não faz o que eu mando, não faz o que eu quero e nem sequer faz nada que toda a gente goste! Não escreve um texto, não pinta um quadro, apenas faz estes riscos....estes riscos......estes estranhos.......mas apaixonantes.......riscos.
Entre a raiva e um estranho encanto lá voltou a pegar no lápis uma derradeira vez e mal o chegou perto da folha ele escreveu de uma só vez:

“Sê tu próprio somente onde mais ninguém te encontre”

Sunday, January 06, 2008

Pontes entre nós

Eu tenho o tempo,
Tu tens o chão,
Tens as palavras
Entre a luz e a escuridão.
Eu tenho a noite,
E tu tens a dor,
Tens o silêncio
Que por dentro sei de cor.

E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.

Eu tenho o medo,
Tu tens a paz,
Tens a loucura que a manhã ainda te traz.
Eu tenho a terra,
Tu tens as mãos,
Tens o desejo que bata em nós um coração.

E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.

Pedro Abrunhosa

Tuesday, July 26, 2005

Saudades do Futuro

Há em mim um lugar estranho, onde me escondo e me perco em premonições dum futuro incerto.
Jardim de Inverno onde tudo é claro e fresco, quadro impressionista duma realidade singular que paupita do meu peito para o mundo!
Sento-me, entre o cheiro das flores e a contemplação do quadro o corpo desaparece e a alma paira em parte incerta....sou feliz!.........dou por mim a tentar agarrar o nevoeiro, a tentar segurar areia entre os dedos.
...............
Sobra-me a ilusão e o sonho, levo comigo as saudades do futuro que nunca vivi.

Tuesday, July 19, 2005

Fazes-me falta

Cinco horas e dois minutos duma madrugada estranha, dedicada ao estudo da Sociologia.Uma palavra complicada atira-me para o dicionário, e é lá dentro que te encontro em forma de carta, daquelas guardadas dentro dos livros de consulta mais frequente, esse truque de quem te queria encontrar todos os dias nos mais pequenos contornos que esses mesmos dias tomam!
Tu não me és indiferente, nunca o serás!Ainda hoje não consigo perceber se isso me enerva ou me conforta, mas sinceramente também pouco me importa.Aquilo que sei é que não consigo ler o que me escreveste e olhar para o que somos hoje sem ter a certeza de que um dos dois cenarios é de teatro.E sabes que mais?sei que o que vivemos agora é o das artes do palco.Apareceu um encenador internacional e deu-te um papel tão brilhante e tão protagonista que ainda hoje, depois do público ter batido palmas e as cortinas terem fechado, te julgas primeira estrela dessa tragédia grega que alguém escreveu....!
Sempre te amei, como se ama uma irmã é certo, mas isso não muda nada.Talvez a culpa seja da falta de palavras, eu prefiro acreditar que é da má vontade de quem as não quer perceber.Desde que te conheci sempre tive consciencia que eras frágil e que tinha que tomar conta de ti, e acredito piamente que sempre o fiz.....então como te poderia odiar por seres tão fraca?és assim desde que te conheço e a escolha foi consciente.
Amo-te e fazes-me falta.....mt falta!E por mais que me cruze contigo na rua e olhes para o lado ou por mais dias que corram sem te saber viva ou morta isso não vai mudar!E pasma-te, acredito que sentes o mesmo.Podes mudar tudo, mas as palavras que me escreveste.....essas serão sempre minhas!
".....Mas num sopro leve de amor e de inspiração encontrei a tinta de uma caneta como símbolo do meu sangue fundido pela Amizade no teu...."