Sunday, January 20, 2008

Não me perguntes

Não me perguntes mais como estou nem queiras mais saber o que esperar de mim. A resposta será sempre uma eterna desilusão, um ciclo infinito de verdades que só em mim fazem sentido, que só numa loucura febril como a minha podem fazer sentido!
Não esperes decisões racionais, tão pouco emotivas. Espera sim um arrastamento do marasmo pois é nele que me sinto em casa. É sentado a pensar como seria a minha vida se a vivesse que experimento o falso conforto de quem já desistiu de querer algo mais que acordar amanhã, e quem sabe, sentir o sol de inverno na cara antes de dormir de novo.

Perguntas-me por onde vou? Onde e como estou?
Perdido hoje, pois as certezas de ontem serão sempre as dúvidas de amanhã!

Thursday, January 17, 2008

Cores

Era uma vez um lápis que vivia numa caixa muito bonita e brilhante! A caixa era de uma das marcas mais conceituadas e toda a gente a admirava. Não havia uma única pessoa que não tivesse vontade de pegar nos lápis da caixa e começar a pintar e colorir.
Um dia houve um miúdo que comprou a caixa e foi todo feliz da vida para casa pronto para fazer os mais belos desenhos que podia imaginar.
Quando a abriu foi um regalo para os olhos! Todas as cores alinhadas, os azuis do céu e do mar, o verde da natureza, o amarelo do sol e todas as outras cores que se podem imaginar.
Mas qual não foi o seu espanto quando encontrou um lápis duma cor que nunca tinha conhecido, uma cor incomparável a qualquer outra. Nem bonita nem feia, apenas estranha. Pegou nele e começou a desenhar numa folha branca, sem vida, sem cor....sem nada! Ainda mais espantado ficou quando percebeu que o lápis desenhava como que por vontade própria, puxava a sua mão de um lado para outro para poder desenhar coisas incompreensíveis, estranhas e aparentemente sem forma.
Assustado, guardou o lápis da cor estranha na caixa e decidiu que nunca mais lhe tocaria. Nunca voltaria sequer a falar do lápis a ninguém. Olhou para a folha e não percebeu de que desenho se tratava. Era um conjunto de riscos sem lógica aos seus olhos!
Irritou-se! Estúpido lápis, não faz o que eu mando, não faz o que eu quero e nem sequer faz nada que toda a gente goste! Não escreve um texto, não pinta um quadro, apenas faz estes riscos....estes riscos......estes estranhos.......mas apaixonantes.......riscos.
Entre a raiva e um estranho encanto lá voltou a pegar no lápis uma derradeira vez e mal o chegou perto da folha ele escreveu de uma só vez:

“Sê tu próprio somente onde mais ninguém te encontre”

Sunday, January 06, 2008

Pontes entre nós

Eu tenho o tempo,
Tu tens o chão,
Tens as palavras
Entre a luz e a escuridão.
Eu tenho a noite,
E tu tens a dor,
Tens o silêncio
Que por dentro sei de cor.

E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.

Eu tenho o medo,
Tu tens a paz,
Tens a loucura que a manhã ainda te traz.
Eu tenho a terra,
Tu tens as mãos,
Tens o desejo que bata em nós um coração.

E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.

Pedro Abrunhosa