Thursday, January 17, 2008

Cores

Era uma vez um lápis que vivia numa caixa muito bonita e brilhante! A caixa era de uma das marcas mais conceituadas e toda a gente a admirava. Não havia uma única pessoa que não tivesse vontade de pegar nos lápis da caixa e começar a pintar e colorir.
Um dia houve um miúdo que comprou a caixa e foi todo feliz da vida para casa pronto para fazer os mais belos desenhos que podia imaginar.
Quando a abriu foi um regalo para os olhos! Todas as cores alinhadas, os azuis do céu e do mar, o verde da natureza, o amarelo do sol e todas as outras cores que se podem imaginar.
Mas qual não foi o seu espanto quando encontrou um lápis duma cor que nunca tinha conhecido, uma cor incomparável a qualquer outra. Nem bonita nem feia, apenas estranha. Pegou nele e começou a desenhar numa folha branca, sem vida, sem cor....sem nada! Ainda mais espantado ficou quando percebeu que o lápis desenhava como que por vontade própria, puxava a sua mão de um lado para outro para poder desenhar coisas incompreensíveis, estranhas e aparentemente sem forma.
Assustado, guardou o lápis da cor estranha na caixa e decidiu que nunca mais lhe tocaria. Nunca voltaria sequer a falar do lápis a ninguém. Olhou para a folha e não percebeu de que desenho se tratava. Era um conjunto de riscos sem lógica aos seus olhos!
Irritou-se! Estúpido lápis, não faz o que eu mando, não faz o que eu quero e nem sequer faz nada que toda a gente goste! Não escreve um texto, não pinta um quadro, apenas faz estes riscos....estes riscos......estes estranhos.......mas apaixonantes.......riscos.
Entre a raiva e um estranho encanto lá voltou a pegar no lápis uma derradeira vez e mal o chegou perto da folha ele escreveu de uma só vez:

“Sê tu próprio somente onde mais ninguém te encontre”

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